Quem cresceu entre o final dos anos 1960 e a segunda metade dos anos 1990 com certeza teve muito de sua trilha sonora composta por sucessos cantados por Michael Jackson. Ele iniciou carreira aos seis anos de idade ao lado dos irmãos mais velhos no grupo The Jackson 5 e no início da adolescência já era um sucesso mundial com muitas canções tocando nas rádios, sem contar uma animação para TV. Aos 19 anos ele partiu para a carreira-solo e se tornou o maior artista da História de Música. Essa incrível trajetória nos é contada na cinebiografia Michael, dirigida por Antoine Fuqua a partir de um roteiro de John Logan. De origem muito pobre, os rumos da família começaram a mudar quando o rigoroso pai Joe Jackson, vivido no filme por Colman Domingo, percebeu o talento dos filhos, especialmente do pequeno Mike. À frente do elenco, no papel-título, o estreante Jaafar Jackson, sobrinho do cinebiografado, filho de Jermaine. Acompanhamos aqui a vida de MJ de meados dos anos 1960 até 1988, ou seja, as primeiras apresentações na pequena Gary, Indiana; a mudança para Los Angeles; o contrato com a Motown; o estrelato; e a carreira-solo de sucesso sólido, influente e revolucionário. Mas nem tudo são flores. Algumas liberdades relativas à vida do cinebiografado foram tomadas. Mas não chegam ao nível do que vimos em Bohemian Rhapsody, apesar de Michael seguir a mesma cartilha. Há problemas aqui que têm relação direta os envolvidos na produção. O artista é retratado como uma figura angelical demais e o único conflito reside em seu tirano pai. Outras questões históricas são simplesmente descartadas, como exemplo a importância de Quincy Jones para o crescimento artístico e musical de MJ. No filme a participação dele se resume a uma ponta. O diretor Antoine Fuqua, nome mais associado ao cinema de ação, faz o melhor que pode e transforma seu filme é uma grande celebração. Michael evita polemizar e destaca na maior parte de sua duração a presença magnética de Michael Jackson em estúdio e nos palcos. E Jaafar Jackson, que tem uma incrível semelhança física com o tio, revela-se preciso ao cantar e dançar, mas fica devendo em momentos mais dramáticos, o que nem é tanto culpa dele, pois o roteiro não oferece momentos que exijam isso do ator. Por fim, Michael é uma colagem/exaltação do talento de um artista que revolucionou a cultura pop do século XX. Pena que o filme não seja tão revolucionário quanto aquele que lhe serviu de inspiração.
MICHAEL (EUA 2026). Direção: Antoine Fuqua. Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Juliano Krue Valdi, Jamal R. Henderson, Jayden Harville, Tre Horton e Rhyan Hill. Duração: 128 minutos. Distribuição: Universal.







