Surda, estreia na direção de longas da roteirista e diretora espanhola Eva Libertad García, é na verdade, uma versão estendida de seu curta de mesmo nome realizado em 2021. À frente do elenco, Miriam Garlo, irmã da diretora na vida real. Ela é Ángela, uma mulher com deficiência auditiva que enfrenta os desafios de ser mãe, ao mesmo tempo em que precisa lidar com preconceitos, sem contar as limitações impostas por uma sociedade de pouca inclusa para pessoas como ela. Seu companheiro, Héctor (Álvaro Cervantes), se esforça para que a relação de ambos seja plena. Ele inclusive aprendeu a Língua de Sinais Espanhola (LSE) para melhor se comunicar com Ángela. Mas o nascimento da filha do casal traz uma apreensão adicional: seria a bebê surda também? O filme aborda com delicadeza o cotidiano dessa família ao retratar a rotina de suas personagens, que são extremamente bem construídos pelo roteiro de García. Mas isso, por si só, não seria eficiente sem que o par central do elenco não estivesse à altura dos papéis que representam. Miriam Garlo e Álvaro Cervantes são precisos em todos os aspectos. Seja pela expressão corporal ou pelo olhar que trocam. E essa boa e dinâmica química é visível ao longo de todo o filme.
SURDA (Sorda – Espanha 2025). Direção: Eva Libertad García. Elenco: Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta, Joaquín Notario, Erika Rubia, Marc Blauk, Oti Manzano, Sofía López, Marc Tapia e Agustín Otón. Duração: 99 minutos. Distribuição: Retrato Filmes.







