Depois de quase uma década trabalhando como assistente de direção ou diretor de segunda unidade, o francês Jean-Jacques Beineix iniciou carreira como roteirista e diretor, em 1981, com Diva: Paixão Perigosa. Dois anos depois adaptou a obra noir de David Goodis, A Lua na Sarjeta. Mas foi a partir de terceiro longa, Betty Blue, de 1986, que ele conquistou uma legião de cinéfilos mundo afora. Apesar de todo filme ser um registro de seu tempo, como bem disse o cineasta Eric Rohmer, há aqueles que capturam com mais precisão esse espírito. E Betty Blue é seguramente um deles. O roteiro, do próprio Beineix, é uma adaptação do romance de Philippe Djian, e nos apresenta Zorg (Jean-Hughes Anglade), que vive no sul da França trabalhando como zelador e pintor de um conjunto de bangalôs. Nas horas vagas ele escreve e sua vida mudou por completo com a chegada da jovem, bela e impulsiva Betty (Beatrice Dalle). Betty exala vida por todos os poros, mas também é marcada por uma instabilidade que gradativamente vai abalando a relação com Zorg. Beineix é um diretor que muitos costumam chamar de “esteta” por conta do apurado senso visual de seus filmes realçado aqui pela expressiva fotografia de Jean-François Robin, que destaca a cor azul em todas as cenas. Outro ponto alto é a ótima trilha sonora composta por Gabriel Yared. Sem esquecer, obviamente, da dupla central do elenco, que esbanja química. Especialmente Béatrice Dalle, em sua explosiva estreia no cinema. O título original, 37°2 Le Matin, se refere à temperatura do corpo de uma mulher quando ela está ovulando. Em tempo: existe uma versão do diretor mais longa com cerca de três horas de duração.
BETTY BLUE (37°2 Le Matin – França 1986). Direção: Jean-Jacques Beineix. Elenco: Jean-Hughes Anglade, Béatrice Balle, Gérard Darmon, Consuelo De Haviland, Clémentine Célarié, Jacques Mathou, Vincent Lindon e Dominique Pinon. Duração: 119 minutos. Distribuição: Pandora Filmes.







