Talvez você não saiba, mas a Nigéria é o segundo maior polo produtor de filmes do mundo. Lá são realizados mais de dois mil filmes por ano. Perde apenas para a Índia. Não por acaso, Lagos, antiga capital do país e maior centro da produção audiovisual é conhecida como Nollywood. Apesar dessa quantidade expressiva, a maior parte dela é consumida lá mesmo em lançamentos diretos para streaming ou mídia física. Por conta disso, é motivo de celebração assistir a um filme nigeriano fora da Nigéria. Este é o caso de A Sombra do Meu Pai, longa de estreia de Akinola Davies. O roteiro, escrito pelo próprio diretor, ao lado de seu irmão Wale Davies, é um relato bastante pessoal da infância dos dois e, ao mesmo tempo, um ritual de passagem em meio a uma transformação da vida política do país e, especialmente, uma bela homenagem ao pai de ambos. Remi e Akin, vividos por Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo, também são irmãos na vida real e essa dinâmica fraterna é usada a favor do filme. A ação se concentra em um dia muito importante: 12 de junho de 1993. Foi neste dia que ocorreu a eleição presidencial e seu resultado fez com que um novo golpe militar ocorresse no país. O pai das crianças, Folarin (Sope Dirisu), viaja com os filhos até Lagos. Ele procura por um emprego melhor e visita velhos amigos enquanto mostra a cidade grande para Remi e Akin. Aquela viagem traz à tona lembranças do passado de Folarin e revela para os meninos o mundo dos adultos que eles desconheciam. A Sombra do Meu Pai é honesto e direto em sua abordagem. Davies faz um resgate de grande afetividade de sua memória filial e, junto com isso, como é comum em grandes histórias, resgata também uma passagem fundamental de sua própria vida e da vida de sua terra natal.
A SOMBRA DO MEU PAI (My Father’s Shadow – Nigéria/Inglaterra/Irlanda 2025). Direção: Akinola Davies. Elenco: Sope Dirisu, Chibuike Marvellous Egbo, Godwin Egbo, Akerele David, Owa Orire Jeremiah e Efòn Wini. Duração: 94 minutos. Distribuição: Filmes da Mostra.







