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MAMBEMBE

Existem projetos que tinham tudo para dar certo e terminaram suspensos para muitos anos depois serem retomados. Isso é mais comum do que parece. Veja o caso, por exemplo, de Santiago, de João Moreira Salles, ou Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho. O mesmo pode ser dito de Mambembe, de Fábio Meira, que seria o primeiro longa do diretor. Tudo começou em 2010 e por uma série de razões não foi adiante. Quase 15 anos mais tarde, Meira volta àquelas três mulheres que trabalhavam no circo e retoma as histórias de Índia Morena, Jéssica e Madona Show. As três são artistas circenses e viajam pelo país com sua arte. No meio delas, um topógrafo, vivido pelo ator Murilo Grossi, que também viaja pelo país fazendo seu trabalho. Meira, ao voltar a esse mundo, se inseriu como narrador refletindo sobre sua própria obra e vida ao longo do período que separa as duas tentativas. E com a impossibilidade de ter a Jéssica verdadeira no filme, ele escalou a atriz Dandara Ohana para interpretá-la. Mambembe se revela então um docudrama, algo entre a ficção e o documentário. Nessa década e meia entre a primeira tentativa e a efetiva realização da obra, muita coisa mudou, seja na vida do diretor e, principalmente, na vida do país. E é justamente daí que o filme extrai sua beleza e sua contundência. Sem esquecer que ao refletir sobre a arte, ele também reflete sobre uma nação e suas recentes transformações.

MAMBEMBE (Brasil 2024). Direção: Fábio Meira. Documentário. Duração: 98 minutos. Distribuição: Roseira Filmes.

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