Longa de estreia do roteirista e diretor chileno Diego Cespedes, O Olhar Misterioso do Flamingo é uma obra madura e original que parece ter sido feita por um veterano. A ação se passa no ano de 1982, no interior do Chile, e resgata histórias de pessoas que foram deixados para trás. Naquela época a AIDS ainda era pouco conhecida e estudada e muita gente a associava aos gays. No lugar onde tudo acontece existe um bordel habitado por travestis e estes são acusados pelos outros homens de terem o “olhar” do título, que seria responsável por disseminar aquela doença fatal. O mais interessante aqui é que Cespedes conduz sua narrativa filtrada pelos olhos da jovem Lídia (Tamara Cortes), uma garota de 12 anos que vive na casa de Mama Boa (Paula Dinamarca) e foi adotada por Flamingo (Matías Catalán). O ambiente daquela morada é carregado de amor para com Lídia e os demais. Alternando momentos de muita alegoria visual com outros de forte violência gráfica, O Olhar Misterioso do Flamingo levanta a bandeira LGBTQIAPN+ sem ser panfletário. E o faz destacando que somos todos seres humanos. E como tal podemos errar, mas também podemos mudar. Em tempo: o filme ganhou o prêmio Um Certo Olhar, no Festival de Cannes de 2025.
O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO (La Misteriosa Mirada del Flamenco – Chile/França/Alemanha/Espanha/Bélgica 2025). Direção: Diego Cespedes. Elenco: Tamara Cortes, Matías Catalán, Paula Dinamarca, Luis Dubó, Claudia Cabezas, Alfredo Castro e Andrés Almeida. Duração: 108 minutos. Distribuição: Imovision.







