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NOITES ALIENÍGENAS

O simples fato de ser o primeiro longa-metragem produzido no Acre já seria um importante motivo para se ver Noites Alienígenas, estreia na direção de Sérgio de Carvalho. Mas essa seria apenas uma das razões. Existem pelo menos outras sete para se conferir o grande vencedor da 50ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Ao todo foram seis Kikitos: melhor filme, ator (Gabriel Knoxx), atriz coadjuvante (Joana Gatis), ator coadjuvante (Chico Diaz), melhor filme pelo Júri da Crítica e menção honrosa ao ator Adanilo Reis. O roteiro escrito pelo próprio diretor junto com Camila Cavalcante e Rodolfo Minari, parte de uma constatação das mais tristes. Desde a invasão das facções criminosas do Sudeste do Brasil à Amazônia, aumentou em 183% o assassinato de crianças e jovens nos últimos dez anos no Estado do Acre. A narrativa de Carvalho utiliza a fantasia dos discos voadores e nos conta três histórias distintas sem destacar um protagonista. Há, no entanto, um ponto em comum: a violência urbana. Tudo acontece na periferia de Rio Branco misturando habilmente elementos sociais contemporâneos com a ancestralidade dos povos originários da região. Noites Alienígenas traz um senso de urgência ao retratar questões familiares, religiosas e tradicionais. Filhos sem rumo, mães desesperadas, falta generalizada de esperança no futuro. Enfim, um país que precisa se reencontrar e se reinventar. A arte é um caminho. E eis aqui a sétima razão: trata-se de um filme incômodo e por isso mesmo, necessário.    

NOITES ALIENÍGENAS (Brasil 2022). Direção: Sérgio de Carvalho. Elenco: Gabriel Knoxx, Adanilo Reis, Gleici Damasceno, Chico Diaz, Joana Gatis, Chica Arara, Bimi Huni Kuin, Duace, Jefferson Xavier e Kika Sena. Duração: 91 minutos. Distribuição: Vitrine Filmes.

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