Apesar de ter iniciado sua carreira em 1922 e dirigido quatro trabalhos até 1926, o cineasta britânico Alfred Hitchcock sempre considerou O Inquilino, de 1927, seu filme de estreia. Também conhecido como O Pensionista ou O Inquilino Sinistro, temos aqui um drama de suspense com roteiro do próprio Hitchcock ao lado de Eliot Stannard que tem por base a obra literária de Marie Belloc Lowndes. Fortemente influenciado pelo expressionismo alemão, somos apresentados ao assassino em série batizado de “O Vingador”, que ataca e mata jovens mulheres na nebulosa Londres com forte inspiração nos crimes de Jack, o Estripador. Hitchcock estabelece o clima de pavor e medo já nas primeiras cenas através de manchetes de jornal. A tensão generalizada é visível na rotina de todas as personagens. E tudo fica mais tenso ainda quando um novo morador, Jonathan Drew (Ivor Novello), chega à pensão dos Bouting (Marie Ault e Arthur Chesney). Especialmente por conta de seus estranhos hábitos como sair nas noites de névoa e carregar a foto de uma bonita loira. O diretor que em pouco tempo ficaria famoso como “o mestre do suspense” tem em O Inquilino seu primeiro sucesso comercial. A partir daí ele conseguiu mais autonomia para dirigir filmes com um pouco mais de liberdade e com isso passou a testar movimentos e soluções visuais que se tornaram marcas registradas de seu talento narrativo. Se mesmo sendo uma obra com cerca de 100 anos que continua instigante hoje, imagine como deve ter sido quando de seu lançamento. Em tempo: este foi o primeiro trabalho em que Hitchcock fez uma ponta, algo que seria recorrente (e esperado) em todos os seus trabalhos futuros.
O INQUILINO (The Lodger: A Story of the London Fog – Inglaterra 1927). Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: Ivor Novello, Marie Ault, Arthur Chesney, Malcolm Keen, Reginald Gardiner e June Tripp. Duração: 79 minutos. Distribuição: Criterion.







