Segundo longa do cineasta paulista radicado no Rio de Janeiro Antonio Carlos Fontoura, que antes havia dirigido também quatro curtas, A Rainha Diaba é um marco do cinema policial brasileiro. O roteiro, escrito pelo próprio diretor ao lado do dramaturgo Plínio Marcos, se inspira livremente na vida do criminoso carioca João Francisco dos Santos, homossexual assumido, conhecida como Diaba, que controlou vários pontos de venda de drogas. Antes de tudo, não é possível ver este filme com os olhos do presente. Na verdade, isso vale para qualquer obra de arte. Mas é evidente o impacto que A Rainha Diaba deve ter causado quando de seu lançamento em 1973. Suas cores, maquiagem e figurinos fortes reforçam a construção das personagens que orbitam ao redor da Diaba, vivido de maneira impecável por Milton Gonçalves. É louvável a busca de Fontoura por diálogos e situações violentas e abusivas fiéis ao mundo que buscam retratar. A narrativa, que hoje seria vista como preconceituosa e maniqueísta, se aproxima do ritmo das crônicas dos antigos programas de rádio que faziam sucesso no passado ao tratar dessa intensa e sangrenta disputa de poder. Em tempo: João Francisco dos Santos foi retratado também em Madame Satã, que Karim Aïnouz dirigiu em 2002 com Lázaro Ramos no papel-título.
A RAINHA DIABA (Brasil 1973). Direção: Antonio Carlos Fontoura. Elenco: Milton Gonçalves, Odete Lara, Nelson Xavier, Stepan Nercessian, Wilson Grey, Haroldo de Oliveira, Arthur Maia, Fábio Camargo, Carlos Prieto e Lutero Luiz. Duração: 100 minutos. Distribuição: Ipanema Filmes.







