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A MATÉRIA NOTURNA

Existem filmes que não se entregam fácil e exigem do espectador algo mais que o papel de meros observadores. Esse é o caso de A Matéria Noturna, segundo longa do cineasta capixaba Bernard Lessa. O roteiro, escrito pelo próprio diretor, nos apresenta duas histórias que começam em paralelo: a de Jaiane (Shirlene Paixão), que trabalha como motorista de aplicativo e cantora em uma roda de samba; e a de Aissa (Welket Bungué), marinheiro moçambicano que fica alguns dias em Vitória, no Espírito Santo, por conta de um problema técnico no navio. Tanto ela quanto ele carregam “bagagem” do passado que até são mencionadas, mas não explicitadas. Principalmente Jaiane, que demonstra insatisfação com a vida que leva, em especial, com um trauma recente. Há em sua rotina um clima de constante perseguição sugerida por situações que ela experimenta. O mesmo pode ser dito, em certa medida, de Aissa. Mas fica evidente, desde o início, que os dois se encontrarão e formarão um casal. Como escrevi no início da resenha, Lessa faz de nós espectadores impotentes e essa sensação é reforçada no uso que faz do tempo. Não há indicação alguma do passar dos dias nessa narrativa e isso deixa “brechas” para preenchermos. A aposta do cineasta é arriscada, já que é sempre um risco investir na inteligência e na sensibilidade do público. De minha parte, encontra-se aí sua singular originalidade.

A MATÉRIA NOTURNA (Brasil 2021). Direção: Bernard Lessa. Elenco: Shirlene Paixão, Welket Bungué, Altamir Furlane, Suely Bispo, Sandra Chagas e Ivna Messinam. Duração: 89 minutos. Distribuição: Olhar Filmes.

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