A vida do cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”, daria muitos livros e filmes. Material não falta. É o caso deste Luiz Gonzaga: Légua Tirana, de 2025, escrito e dirigido pela dupla Marcos Carvalho e Diogo Fontes, realizado 13 anos depois de Gonzaga: De Pai Pra Filho, de Breno Silveira. Diferente da cinebiografia de 2012 que buscou “abraçar” muito da trajetória do artista, inclusive, com foco na relação dele com o filho Gonzaguinha, o novo filme faz um recorte bem interessante ao focar na infância de Gonzagão. Vemos o pequeno Luiz (Kayro Oliveira), exímio tocador de sanfona, filho de Januário (Erivaldo Oliveira) e Santana (Eliana Figueiredo), que vive com a família em uma humilde casa dentro do terreno de uma fazenda, onde seu pai trabalha. Vemos também passagens da adolescência, fase em que Luiz Gonzaga é vivido por Wellington Lugo. Por fim, já adulto, é a vez de Chambinho do Acordeon, que havia participado do filme de Breno Silveira, aparecer brevemente revivendo este ícone da música e da cultura brasileira. Temos aqui uma série de momentos marcantes da jornada do retratado e que moldaram não apenas seu caráter, mas principalmente sua carreira artística. E os versos iniciais da canção que dá título ao filme resume bem o que Carvalho e Fontes nos mostram: “Ô, que estrada mais comprida. Ô, que légua tão tirana. Ai, se eu tivesse asa. Inda’ hoje eu via a Ana. Quando o Sol tostou as foias’. E bebeu o riachão. Fui inté’ o Juazeiro. Pra fazer uma oração. Tô vortando’ estrupiado. Mas alegre o coração. Padim’ Ciço ouviu minha prece. Fez chover no meu sertão”.
LUIZ GONZAGA: LÉGUA TIRANA (Brasil 2025). Direção: Marcos Carvalho e Diogo Fontes. Elenco: Kayro Oliveira, Wellington Lugo, Cláudia Ohana, Luiz Carlos Vasconcelos, Tonico Pereira, Eliana Figueiredo, Erivaldo Oliveira, Batoré e Chambinho do Acordeon. Duração: 114 minutos. Distribuição: O2 Play.







