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CINEMARDEN VAI AO OSCAR

CÓDIGO DESCONHECIDO

A filmografia do diretor austríaco Michael Haneke poderia ser resumida em uma palavra: incômodo. De todos os cineastas em atividade, nenhum consegue ser tão incômodo quanto Haneke. Ele não só expõe as feridas da sociedade europeia atual, como, e principalmente, toca fundo nelas. Com produções divididas entre três países, Áustria, Alemanha e França, Haneke transita por diferentes culturas e idiomas, porém, os problemas são os mesmos. Não importa o lugar. E no caso da Europa, uma das principais dificuldades do continente é o convívio com os  imigrantes africanos ou do leste europeu. Em Código Desconhecido, que ele escreveu e dirigiu no ano 2000, a narrativa acompanha três grupos de pessoas: Anne Laurent (Juliette Binoche), uma atriz francesa; Maria (Luminita Gheorghiu), uma romena que quer voltar para seu país; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor africano que dá aulas para crianças surdas-mudas. As histórias dessas três personagens e alguns de seus familiares se cruzam a partir de um incidente que acontece em uma esquina de Paris. Haneke não alivia em momento algum. A tensão que se estabelece e suas repercussões nos mostram, sem meias palavras, o barril de pólvora em que se transformou alguns centros urbanos da Europa. Haneke, assim como Stanley Kubrick, parece ter perdido a fé no ser humano. E sabe, como poucos, retratar essa descrença em diálogos cortantes e imagens fortes.
CÓDIGO DESCONHECIDO (Code Inconnu: Récit Incomplet de Divers Voyages – França/Alemanha/Romênia 2000). Direção: Michael Haneke. Elenco: Juliette Binoche, Thierry Neuvic, Luminita Gheorghiu, Josef Bierbichler, Alexandre Hamidi, Maimouna Hélène Diarra, Ona Lu Yenke e Djibril Kouyaté. Duração: 118 minutos. Distribuição: Moviestar.

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