O diretor mineiro José Luiz Villamarim é cria da Rede Globo de Televisão, onde começou a trabalhar em 1995. Desde então dirigiu novelas e minisséries. Muitas delas, premiadas. Especialmente as que tiveram George Moura como roteirista. Isso fez com que ele convidasse o amigo para adaptar o livro O Mundo Inimigo: Inferno Provisório Volume II, de Luiz Ruffato. Nasceu aí o projeto Redemoinho, seu longa de estreia no cinema, realizado em 2016 e lançado no ano seguinte. A história acontece na cidade de Cataguases, no interior de Minas Gerais. É lá que Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade) se reencontram após muito tempo sem se verem. A longa conversa dos dois, regada com bastante bebida, traz boas lembranças quase esquecidas e desperta remorsos e reflexões sobre as decisões que tomaram na vida. Trata-se de um momento de reavaliação do que foi feito até aquele ponto. Redemoinho faz jus ao título que tem. O roteiro de Moura e a direção de Villamarim encontram na expressiva fotografia de Walter Carvalho e no trabalho impecável do elenco o que eu resumiria como “poesia pura”. O melhor de tudo é termos aqui um filme que confia em nossa inteligência e não entrega as coisas de “mão beijada”. Há coisas que não precisam ser ditas e o filme trabalha com perfeição certos acontecimentos e situações que ficam subentendidas sem que seja necessário verbalizá-las. Não é um filme fácil e nem poderia ser diferente. Seu maior trunfo é justamente o de fugir do lugar comum.
REDEMOINHO (Brasil 2016). Direção: José Luiz Villamarim. Elenco: Irandhir Santos, Júlio Andrade, Dira Paes, Cássia Kis, Démick Lopes, Camila Amado, Inês Peixoto e Cyria Coentro. Duração: 100 minutos. Distribuição: Vitrine Filmes.







