Depois do sucesso de A Vida Invisível, lançado em 2019, o cineasta cearense Karim Aïnouz decidiu se conectar com sua herança argelina paterna e realizou dois documentários passados na Argélia. O primeiro deles foi Nardjes A, de 2020. Aqui ele nos leva a acompanhar um dia na vida de uma ativista que dá título ao filme. O dia em questão foi 08 de março de 2019. Aïnouz, com uma câmera de celular, documenta essa jovem ao longo da primeira manifestação de rua que ela participa no centro de Argel. O país natal do pai do diretor tornou-se independente em 05 de julho de 1962, após uma luta sangrenta que encerrou mais de 130 anos sob o domínio francês. Na sequência, o povo experimentou um período de alegria e esperança que durou até um regime autoritário assumir o poder no país transformando os libertadores em opressores. Isso levou os argelinos às ruas para reivindicar liberdade, justiça e dignidade. A gota d’água foi o anúncio de que o presidente Bouteflika concorreria a um quinto mandato. Nardjes acredita lutar por um futuro melhor e verdadeiramente democrático para ela, da mesma forma que seus antepassados lutaram pela independência. Karim Aïnouz é um cineasta que tem como uma de suas características destacar o lado mais humano de suas personagens. Especialmente as mulheres. Que sempre são fortes e determinadas. Como é o caso de Nardjes. Na sequência, ele realizou O Marinheiro das Montanhas, o segundo dessa “viagem argelina”. Mas isso é outra história. E bem mais pessoal.
NARDJES A. (Argélia/França/Alemanha/Brasil 2020). Direção: Karim Aïnouz. Documentário. Duração: 80 minutos. Distribuição: Gullane Filmes.







