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KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI

Alguém duvida que Akira Kurosawa tenha realizado filmes verdadeiramente japoneses? Por mais estranha que pareça a pergunta, muitos japoneses pensavam que não. Cada nova produção significava ter que levantar dinheiro no Japão. Dinheiro que raramente era concedido. Felizmente, Kurosawa possuía uma legião de fãs cineastas no Ocidente que passaram a bancar seus filmes. Foi o que aconteceu com Kagemusha – A Sombra do Samurai, produzido por Francis Ford Coppola e George Lucas. Estamos aqui no Japão feudal do século XVI. Época repleta de guerreiros samurais. Um desses guerreiros, o maior deles, uma verdadeira lenda viva, é mortalmente ferido em uma batalha. Para que sua fama seja mantida, ele manda seus discípulos procurarem por um sósia seu para substituí-lo em sua ausência. Qualificar Kagemusha de épico é redundante. Quase todos os filmes de Kurosawa são épicos. O que incomodava os japoneses mais puristas em relação aos trabalhos do diretor é que ele era considerado ocidental demais. Na verdade, o que ele fazia era uma perfeita mistura entre as duas culturas, utilizando muitas vezes história inspirada nas obras de William Shakespeare e adaptando-as para um contexto nipônico. Seus conterrâneos não entendiam assim e isso dificultou muito a vida de Kurosawa, principalmente na última década de sua carreira. Kagemusha é puro encantamento. Além de bonito de se ver, tem uma história que “brinca” em vários níveis com a questão da imagem que projetamos para os outros. O dilema do “duplo” não está na história por acaso e também nunca foi utilizado de maneira tão genial. Sem esquecer que, além dessas questões tão sérias, profundas e filosóficas, o filme ainda tem incríveis e estonteantes cenas de batalhas. É, sem dúvida alguma, o melhor de dois mundos.
KAGEMUSHA – A SOMBRA DO SAMURAI (Kagemusha – Japão 1980). Direção: Akira Kurosawa. Elenco: Tatsuya Nakadai, Tsutomu Yamazaki, Ken’ichi Hagiwara, Masayuki Yui, Jinpachi Nezu, Hideji Ôtaki e Daisuke Ryû. Duração: 159 minutos. Distribuição: Fox.

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3 respostas

  1. Caríssimo Marden tive conhecimento do seu blog através do Transamérica Light, os programas de sexta-feira são ótimos, seus comentários sempre brilhantes e com muita propriedade.
    Gosto quando você comenta um filme que não lhe agrada e mesmo assim sua crítica consegue mostrar o que de positivo o filme apresenta.
    Com relação a Kurosawa quem sou eu para expressar opinião.
    Quero dizer também que o seu blog me motivou a começar a escrever no meu modesto blog.
    Escrevo na minha simplicidade, mas de coração, quero quem sabe um dia ter a qualidade tanto crítica quanto literária que os seus textos apresentam.

    Clayton Marcelo de Souza.

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