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CINEMARDEN VAI AO OSCAR

UM COMPLETO DESCONHECIDO

Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, é um dos maiores nomes da cultura mundial. Único artista a ganhar os prêmios Grammy, Globo de Ouro, Pulitzer, Oscar e Nobel, sua história já foi contada em reportagens de revistas e jornais; em documentários e programas de TV; e no cinema, onde aparece agora no longa Um Completo Desconhecido, de James Mangold. Com roteiro do próprio Mangold, ao lado de Jay Cocks, tendo por base o livro Dylan Goes Electric!, de Elijah Wald. Tudo começa quando o jovem músico e poeta, interpretado por Timothée Chalamet, chega à Nova York, em 1961. Ele saiu de Minnesota, seu estado natal, para visitar Woody Guthrie (Scoot McNairy), cantor folk de quem era fã e que estava hospitalizado. Lá ele conhece finalmente seu ídolo e também o cantor Pete Seeger (Edward Norton), que o leva para tocar nos bares de Greenwich Village. A partir daí, vemos a ascensão de Dylan com canções marcantes como Blowin’ in the Wind e The Times They Are a Changin’, até o ano de 1965, quando ele compõe Like a Rolling Stone. Para desespero dos amantes do folk, Dylan abandona o violão acústico e abraça a guitarra elétrica. O próprio título do filme vem de um verso dessa canção. O momento é considerado o mais importante da música pop e rendeu até um ótimo livro, Like a Rolling Stone: Bob Dylan na Encruzilhada, escrito por Greil Marcus e lançado no Brasil pela Cia. das Letras, em 2010. Também rendeu um excepcional documentário, No Direction Home: Bob Dylan, dirigido por Martin Scorsese, em 2005. Ambos são ótimos complementos ao filme de Mangold, que faz aqui um interessante recorte dos primeiros anos da carreira de Bob Dylan. Esse período moldou a personalidade e a postura desse artista singular. Além disso, o filme destaca o envolvimento dele com os músicos de então, bem como os dois relacionamentos amorosos que ele teve na época. O primeiro deles com Sylvie Russo (Elle Fanning), que na verdade é inspirada em Suze Rotolo. Ela teve o nome trocado a pedido do próprio Dylan por não ser uma figura pública. O segundo foi com a cantora e ativista Joan Baez (Monica Barbaro). A história é narrada de maneira linear com uma estrutura clássica. Timothée Chalamet à frente do ótimo elenco comprova mais uma vez que é um dos grandes atores de sua geração. Ele se preparou durante cinco anos para este papel e o compõe com maestria e precisão. Já o diretor, que havia retratado outro músico, Johnny Cash, em Johnny e June, de 2005, mostra que não perdeu o jeito para esse tipo de história. Temos, portanto, em Um Completo Desconhecido um filme que não almeja ser mais do que ele efetivamente é. E essa humildade faz toda a diferença. Sem esquecer, óbvio, da força poética das letras de Mr. Zimmerman. Em tempo: O filme foi indicado ao Oscar 2025 em oito categorias: filme, diretor, ator, ator e atriz coadjuvantes, som, roteiro adaptado e figurino.  

UM COMPLETO DESCONHECIDO (A Complete Unknown – EUA 2024). Direção: James Mangold. Elenco: Timothée Chalamet, Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro, Dan Fogler, Boyd Holbrook, Norbert Leo Butz e Scoot McNairy. Duração: 141 minutos. Distribuição: Walt Disney Pictures.

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