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ED WOOD

A história de Edward Wood Jr, considerado por muitos o pior cineasta de todos os tempos, não poderia ser melhor contada por outro diretor que não fosse Tim Burton. A vida, as histórias e as personagens bizarras de Ed Wood estão em perfeita harmonia com o universo que Burton criou em quase tudo que dirigiu. Ed Wood, o filme, com roteiro escrito por Scott Alexander e Larry Karaszewski, se baseia no livro Nightmare of Ecstasy, de Rudolph Grey. A ação se passa nos anos 1950 e se concentra no período em que o diretor realizou três de suas maiores produções: Plano 9 do Espaço Sideral, Glen ou Glenda? e A Noiva do Monstro. Ed Wood, vivido de maneira intensa por Johnny Depp, quer e acredita que pode fazer filmes. Não tem pudor em levantar dinheiro com pequenos comerciantes e com pastores protestantes. Trabalhando com atores rejeitados, ele, ao encontrar Bela Lugosi, brilhantemente interpretado por Martin Landau, vê aí a grande chance de ter um ícone do cinema atuando sob sua direção. Lugosi está no fim da carreira e da vida. Viciado em drogas, muito doente e esquecido. Nada, absolutamente nada, consegue tirar o ânimo e o otimismo de Ed Wood, um diretor extremamente carinhoso com seus atores. Carinho esse também demonstrado por Tim Burton para com todas as personagens de seu filme. Preste atenção na seqüência em que Ed Wood, o pior dos diretores, se encontra por acaso em um bar com Orson Welles (Vincent D’Onofrio), que dirigiu Cidadão Kane, considerado o melhor filme de todos os tempos. Não sei se esse encontro aconteceu de verdade. Seja como for, é um dos muitos pontos altos dessa bela e emocionante obra-prima que destaca acima de tudo um profundo e verdadeiro amor pela Sétima Arte.
ED WOOD (Ed Wood – EUA 1994). Direção: Tim Burton. Elenco: Johnny Depp, Martin Landau, Bill Murray, Patricia Arquette, Sarah Jessica Parker, Vincent D’Onofrio, Lisa Marie, Jeffrey Jones, Brent Hinkley, Max Casella, Mike Starr e G.D. Spradlin. Duração: 127 minutos. Distribuição: Buena Vista.

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2 respostas

  1. É o melhor Tim Burton sim – e hoje parece um “lapso” em sua filmografia.
    Quanto ao personagem, devo afirmar que Ed Wood foi um grande ícone, um símbolo de nós mesmos, que revela que quando estamos apaixonados por algo, desconsideramos o todo. De fato, tal qual nós com nossas produções, Wood nunca achou que seu trabalho fosse “ruim”, simplesmente por que ele ACREDITAVA no resultado, desconsiderando o olhar externo, deixando de ver o trabalho com o olhar de um terceiro. No mundo das artes encontramos muitos assim – com paralelos em crentes religiosos – mas nenhum foi personificado de forma tão profunda e intensa quanto “o pior cineasta de todos os tempos”.
    Por outro lado, ele fez o que acreditava – e talvez isso seja o mais importante.
    Se fosse procurar uma “moral” na história, eu diria que seria isso: Seja Wood, seja Welles, mas assuma o que você é.

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