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A TRAVESSIA

O que esperar de um filme inspirado em uma história real que já foi contada com maestria em um documentário? A primeira reação, até natural, é esperar por uma bela bomba. Porém, se a direção for de um cineasta talentoso como Robert Zemeckis… bem, aí a coisa muda de figura. Zemeckis, talvez o discípulo mais aplicado de Steven Spielberg, tem um dom sem igual para contar uma história cinematograficamente. E é justamente o que acontece em A Travessia, que ele realizou em 2015 inspirado na vida do francês Philippe Petit, que fez a travessia entre as duas torres do World Trade Center, em Nova York, no dia 07 de agosto de 1974. Esta mesma história é o tema do premiado documentário O Equilibrista, dirigido por James Marsh, em 2008. Zemeckis, que adaptou o livro de Petit, To Reach the Clouds, (algo como “para alcançar as nuvens”), junto com Christopher Browne, se preocupa com o show, mas, antes, nos apresenta o homem. A Travessia é dividido em três arcos narrativos: quem é Petit e suas motivações; a preparação do feito e o feito em si. Zemeckis faz um uso mais do que apropriado, inteligente e criativo da tecnologia 3D, o que provoca vertigem instantânea no espectador. E consegue criar suspense e tensão com algo que já conhecemos. Joseph Gordon-Levitt é perfeito na sua personificação de Petit e nos torna cúmplices de sua aventura já na primeira cena em que aparece. A Travessia, inexplicavelmente, não encontrou seu público nos Estados Unidos. Talvez pelo fato de ter as torres gêmeas como personagens importantes desta história. Algumas feridas parecem não ter cicatrizado ainda. Uma pena. Pois o diretor faz de seu filme, também, uma bela e sensível declaração de amor a Nova York e aos prédios que durante 27 anos foram uma das marcas de força desta cidade e de seu povo. Não seria exagero dizer que Petit fez com que os nova-iorquinos se apaixonassem por aquelas duas torres de concreto.

A TRAVESSIA (The Walk – EUA 2015). Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon, Ben Kingsley, Clément Sibony e James Badge Dale. Duração: 123 minutos. Distribuição: Sony.

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Respostas de 2

  1. Tambem achei que seria uma bomba, mas o diretor soube fazer o filme. Muito bom o efeito 3D, realmente causa vertigem. Vale a pena assistir, recomendo.

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