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À DERIVA

O sucesso mundial de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, tornou possível um acordo entre a Universal, poderoso estúdio americano, e a produtora O2 Filmes, de Meirelles. À Deriva, terceiro longa de Heitor Dhalia, é fruto dessa parceria. Diferente de seus dois primeiros filmes, Nina e O Cheiro do Ralo, que possuem uma estética mais autoral e independente, e segundo alguns bem machista, em À Deriva, Dhalia apresenta uma história mais luminosa e, em muitos aspectos original, ao tratar de um tema delicado como a descoberta da sexualidade. Estamos no início dos anos 1980, na bela e ensolarada região de Búzios, no litoral carioca. Acompanhamos uma temporada de férias da jovem Felipa, de 14 anos, vivida pela estreante Laura Neiva. Ela precisa lidar, simultaneamente, com duas grandes mudanças em sua vida. A primeira delas é íntima e pessoal e tem ligação com as transformações físicas de qualquer adolescente. A segunda diz respeito ao casamento de seus pais, Mathias (Vincent Cassel) e Clarice (Débora Bloch), que está por um fio. Em meio a tudo isso, Felipa tenta se encontrar, daí o título do filme. Dhalia, também autor do roteiro, conduz sua trama com carinho e delicadeza e extrai de todo o elenco desempenhos satisfatórios. A parte técnica também merece destaque, principalmente a acertada fotografia de Ricardo Della Rosa, que consegue passar o clima “anos 80” e capturar não só as belezas naturais do lugar como também as mudanças vividas pelas personagens.
À DERIVA (Brasil 2009). Direção: Heitor Dhalia. Elenco: Vincent Cassel, Débora Bloch, Camilla Belle, Cauã Reymond, Gregório Duvivier e Laura Neiva. Duração: 102 minutos. Distribuição: Universal.

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2 respostas

  1. Sempre me impressiona o trabalho de ator nos filmes dirigidos pelo Dhalia. Neste À Deriva, tudo é dilicado, tudo nos detalhes. Um pequeno olhar, a mão que se move e o mar, realmente lindo. PS: Vincent Cassel falando português – e tão diferente se comparado aos papéis anteriores – é um brinde à parte, nunca à deriva.

  2. Grande crítico de cinema do Jornal da Manhã (me contaram), Marden Machado, estou sempre aqui no seu “Cinema”, já que me recuso (velhice) a assistir filmes em cinemas de shoppings, por mais tecnologias que estas “salas” tenham.
    Aqui na Vila Guaíra, tem hora que me pego olhando e imaginando como seria aquele girauzinho com escada helicoidal, dois enormes projetores a carvão, e onde hoje é uma saleta suspensa da administração do supermercado onde um dia foi um grande cinema desta região vizinha do Portão, Água Verde, Lindoia, aqui em Curitiba.
    Sempre vejo seus comentários na TV UFPR.
    Abraço.

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