O cineasta irlandês Jim Sheridan é mais conhecido por seu longa de estreia, Meu Pé Esquerdo, de 1989. Ou pelo drama político-familiar Em Nome do Pai, de 1993. Porém, fazendo valer a máxima que diz que todos nós temos pelo menos uma boa história para contar: a nossa própria, Sheridan nos brinda em Terra de Sonhos com a sua. O roteiro, escrito por ele junto com as duas filhas, Naomi e Kirsten Sheridan, reforça ainda mais o caráter autobiográfico do filme. A ação tem início quando o casal Johnny (Paddy Considine) e Sarah (Samantha Morton) se muda para Nova York, com as duas filhas pequenas (interpretada pelas irmãs Sarah e Emma Bolger). A família tenta superar um trauma: a morte do filho caçula. Com pouco dinheiro, eles vão morar em uma espécie de cortiço, onde as meninas ficam amigas de um dos vizinhos, Mateo (Djimon Hounsou). A história é narrada a partir do ponto de vista da filha mais velha, que registra tudo com sua câmara de vídeo. Sheridan, assim, consegue estabelecer uma conexão com o espectador. Sua narrativa é, ao mesmo tempo, ingênua e sincera, forte e tocante. O talento do diretor pode ser facilmente percebido na seqüência em que a família vai ao cinema para assistir ao filme E.T. – O Extraterrestre. Numa cena corriqueira como esta ele demonstra toda sua habilidade como um excelente e sensível contador de histórias.
TERRA DE SONHOS (In America – Irlanda/EUA/Inglaterra 2002). Direção: Jim Sheridan. Elenco: Samantha Morton, Paddy Considine, Sarah Bolger, Emma Bolger, Djimon Hounsou, Neal Jones e Randall Carlton. Duração: 105 minutos. Distribuição: Fox.








Uma resposta
Tens razão, Marden, o filme tem uma narrativa “ingênua e sincera, forte e tocante”. Para ver e rever, sempre.