Em cerca de 40 anos de carreira no audiovisual, a roteirista e diretora norte-americana Kelly Reichardt construiu uma sólida e singular filmografia. The Mastermind, de 2025, é seu décimo longa-metragem e, a exemplo de boa parte de seus trabalhos, gira em torno de personagens à margem da sociedade. A trama é ambientada na região da Nova Inglaterra, localizada no nordeste dos Estados Unidos, na primeira metade da década de 1970. Somos apresentados a JB Mooney (Josh O’Connor), carpinteiro desempregado que planeja um audacioso roubo de obras de arte em um museu local. O plano é minucioso e teria tudo para funcionar com perfeição. Mas com sabemos, imprevistos costumam acontecer. Paralelo à rotina de JB vemos o mundo passando por grandes mudanças sociais e políticas. Isso agrava ainda mais a situação de nosso protagonista. Reichardt é precisa não apenas na reconstituição de época, realçada pelos cenários, objetos de cena e figurinos sob a supervisão de Anthony Gasparro. Mas principalmente pela paleta de cores da fotografia de Christopher Blauvelt, que remete aos filmes da época, bem como pela montagem seca e sem firulas da própria diretora. The Mastermind exige atenção e paciência do espectador. Não há pressa alguma aqui. A narrativa é calcada pela estrutura clássica onde toda ação resulta em uma reação, ou seja, causa e efeito. E Josh O’Connor à frente do elenco comprova mais uma vez ter bastante critério na escolha de seus trabalhos.
THE MASTERMIND (EUA 2025). Direção: Kelly Reichardt. Elenco: Josh O’Connor, Alana Haim, John Magaro, Hope Davis, Bill Camp, Gaby Hoffmann, Jasper Thompson, Eli Gelb e Cole Doman. Duração: 110 minutos. Distribuição: Imagem Filmes/MUBI.







