O roteirista e diretor Marcelo Lordello nasceu em Brasília, mas vive no Recife, onde iniciou sua carreira no audiovisual. Paterno, de 2022, é seu terceiro longa. A produção levou quase dez anos para ser concluída. O roteiro, do próprio Lordello, ao lado de Fábio Meira e Letícia Simões, foi escrito em 2013. As filmagens aconteceram quatro anos depois e acabou sendo finalizado durante a pandemia da covid-19, em 2021. A história gira em torno de Sérgio (Marco Ricca), um arquiteto que é sócio do pai e do irmão em uma construtora. Ele está envolvido em um empreendimento imobiliário em uma região popular, porém, próxima ao mar da capital pernambucana, onde pretende erguer um resort. O que vemos em Paterno é uma espécie de microcosmo do Brasil de hoje. Seja pelo retrato que apresenta da família de Sérgio com seus segredos, traições e negociatas. Seja pelo entorno dela na convivência com políticos corruptos, obras superfaturadas e elos, digamos assim, nada republicanos com o poder. É visível também a ascensão de grupos ligados às igrejas evangélicas e o confronto de Sérgio do presente, capitalista e burocrático, com seu passado progressista e provavelmente de esquerda. Parece muita coisa para se abordar em um único filme, mas Lordello dá conta de tudo com segurança e sem perder o foco um minuto sequer. E o melhor é que muito dessa carga realista do filme não vem de diálogos expositivos. Ela se faz presente nas entrelinhas e em cenas mostradas de maneira sutil, porém contundente.
PATERNO (Brasil 2022). Direção: Marcelo Lordello. Elenco: Marco Ricca, Gustavo Patriota, Thomas Aquino, Selma Egrei, Nelson Baskerville, Fabiano Pirro e Rejane Faria. Duração: 110 minutos. Distribuição: Filmes do Estação.







