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O CAVALO DE TURIM

O ano de 2026 começou com uma grande perda para o cinema mundial. No dia 5 de janeiro perdemos o cineasta húngaro Béla Tarr, autor de uma sólida filmografia com apenas nove longas fundamentais realizados ao longo de quatro décadas de carreira. O Cavalo de Turim, de 2011, dirigido ao lado de sua companheira Ágnes Hranitzky, que montou o filme, foi seu último trabalho. O roteiro, escrito por Tarr junto com Lászlo Krasznahorkai, se baseia na obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e começa com narrando um episódio ocorrido em 1889, na cidade de Turim, na Itália, quando Nietzsche presenciou um violento ataque de um homem contra seu cavalo. Essa história é o ponto de partida da jornada de seis dias que acompanhamos aqui. Em apenas 30 econômicas cenas, com poucos diálogos (o primeiro deles acontece após 22 minutos de filme), vemos o fazendeiro Ohlsdorfer (Janos Derzsi), sua filha (Erika Bok) e o cavalo da família, que se recusa a comer e a andar. Para o diretor, O Cavalo de Turim é sobre “o peso da existência humana”. A vida dos três naquele lugar onde ventos fortes não cessam nunca só reforça o isolamento de suas vidas. Assim como a bela e austera fotografia em preto e branco de Fred Kelemen, bastante realçada pela impactante e pontual trilha sonora de Mihály Vig. Existem filmes difíceis de serem classificados. Eles estão em um nível tão alto que não há palavras que sirvam para resumi-los. Este é o caso de O Cavalo de Turim.

O CAVALO DE TURIM (A Toninói Ló – Hungria/França/Alemanha/Suíça 2011). Direção: Béla Tarr e Ágnes Hranitzky. Elenco: János Derzsi, Erika Bók e Mihály Kormos. Duração: 155 minutos. Distribuição: Bretz Filmes/Criterion/Curzon.

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