A roteirista, produtora e diretora Rosane Svartman tem dividido sua carreira no audiovisual entre a televisão e o cinema. Coincidentemente, ela realizou dois filmes seguidos que tratam de temas delicados e funcionam muito bem por conta das histórias que contam, como servem, de certa forma, como “obras de utilidade pública”. Em 2024, Svartman dirigiu Câncer com Ascendente em Virgem, sobre uma mulher que descobre estar com câncer de mama. E em 2025 foi a vez de (Des)Controle, que aborda a questão do alcoolismo. O roteiro, escrito por Felipe Sholl, ao lado da própria diretora e da produtora Iafa Britz, a partir de uma ideia desta última, gira em torno de Kátia Klein (Carolina Dieckmann). Escritora e mãe de dois garotos, ela enfrenta um bloqueio criativo em decorrência das pressões no trabalho e em casa com o marido e os filhos. Há muito tempo sem beber, ela tem uma recaída e se torna uma alcoolista. Acompanhamos então a “descida ao inferno” de Kátia e o filme não nos poupa de situações complicadas, e algumas delas até engraçadas, causadas pelo vício. Da mesma forma que em seu filme anterior, Svartman trata o tema da vez com a mesma seriedade, sem esquecer da leveza. E Carolina Dieckmann interpreta Kátia Klein de maneira complexa e sem cair em clichês caricaturais que costumam surgir em papéis dessa natureza.
(DES)CONTROLE (Brasil 2025). Direção: Rosane Svartman e Carol Minêm. Elenco: Carolina Dieckmann, Caco Ciocler, Júlia Rabello, Irene Ravache, Daniel Filho, Stéfano Agostini e Rafael Fuchs Müller. Duração: 96 minutos. Distribuição: Elo Studios/Sony.







