O documentarista italiano Gianfranco Rosi costuma atuar em três frentes: produção, direção e fotografia. Isso significa que ele próprio é responsável pela captação das imagens, sempre belas, apesar de algumas vezes tristes, que vemos em seus filmes. Após chamar a atenção do mundo com o impactante Fogo no Mar, de 2016, onde tratou da questão migratória na Itália, ele nos leva à cidade de Nápoles e à tensão da possibilidade de erupção dos vulcões Vesúvio e Campi Flegrei em Pompéia: Sob as Nuvens, de 2025. Fiel ao seu estilo de testemunhar e não interferir, Rosi mostra uma corrida contra o tempo dos arqueólogos locais e do Japão, além dos moradores que temem uma catástrofe. Tudo isso faz com que marinheiros, bombeiros e equipes de emergência estejam sempre em alerta. Fotografado em preto e branco com forte tom expressionista ao longo de três anos, temos aqui um registro preciso da rotina de uma comunidade que vive perto de um rico sítio arqueológico, onde as autoridades e os acadêmicos trabalham com três grandes preocupações: a iminência de desastre, a preservação de uma região de valor histórico inestimável e o roubo dessas relíquias por “cavadores de túmulos”, o que me remeteu ao filme La Chimera, realizado em 2023 pela cineasta italiana Alice Rohrwacher. Pompéia, que foi palco de um show do Pink Floyd, gravado em outubro de 1971, está novamente no centro do debate. E o que vemos neste documentário trata de História e muito sobre o comportamento humano.
POMPÉIA: SOB AS NUVENS (Sotto le Nuvole – Itália 2025). Direção: Gianfranco Rosi. Documentário. Duração: 115 minutos. Distribuição: MUBI.







