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CINEMARDEN VAI AO OSCAR

ALPHAVILLE

Antes de falar sobre Alphaville, filme escrito e dirigido por Jean-Luc Godard em 1965, convém dizer que sua personagem principal, o detetive Lemmy Caution, não foi criado para o filme. Ele é criação do escritor britânico Peter Cheyney e apareceu pela primeira vez no livro Esse Homem é Perigoso, publicado em 1936. O curioso é que Caution se tornou popular em uma série de filmes feitos em sua maioria na França e sempre estrelado pelo ator Eddie Constantine. Veio então a obra de Godard que se apropriou do detetive e o inseriu uma trama policial com forte inspiração noir e boas pitadas de ficção-científica. Tudo acontece na cidade que dá título ao filme. O computador Alpha 60 tem total controle dos habitantes locais, inclusive aboliu seus sentimentos. Caution se apresenta como jornalista e na verdade tem a missão de encontrar o professor Von Braun e convencê-lo a destruir a máquina evitando com isso uma guerra intergaláctica. Para tanto conta com a ajuda de Natacha (Anna Karina), filha de Von Braun. Godard sempre foi um cineasta ousado em quebrar paradigmas e testar estruturas narrativas pouco convencionais e muitas vezes experimentais. Não é diferente em Alphaville, filme fundamental por “brincar” com a inusitada mistura entre espionagem policial em um contexto futurista que remete aos livros 1984 e Admirável Mundo Novo. Não por acaso foi uma das principais inspirações de Ridley Scott para Blade Runner. Em tempo: os poemas citados aqui são de autoria de Paul Éluard e constam da obra Capitale de la Douleur.

ALPHAVILLE (Alphaville: Une Étrange Aventure de Lemmy Caution – França/Itália 1965). Direção: Jean-Luc Godard. Elenco: Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff, Jean-Pierre Léaud, Howard Vernon, Michel Delahaye e László Szabó. Duração: 99 minutos. Distribuição: Criterion.

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