O compositor norte-americano Lorenz Hart já havia ganhado uma cinebiografia, com muita liberdade criativa, diga-se de passagem, no filme Minha Vida é Uma Canção, dirigido em 1948 por Norman Taurog. Já Blue Moon, realizado por Richard Linklater, em 2025, segue uma trilha bem diferente. O roteiro, escrito por Robert Kaplow, tem por base as cartas trocadas entre Hart e Elizabeth Weiland, vividos aqui por Ethan Hawke e Margaret Qualley. O projeto já transitava por Hollywood há mais de dez anos e desde o início Hawke esteve envolvido com a obra. No entanto, Linklater segurou a produção até que o ator tivesse mais idade, uma vez que não queria utilizar recursos de maquiagem para envelhecê-lo. A ação inteira se passa na noite do dia 31 de março de 1943 e tem basicamente um único cenário, o bar Sardi, em Nova York, onde Hart costumava ir para conversar e beber. É lá que acontece a comemoração pela estreia do musical Oklahoma!, de autoria da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Rodgers era parceiro de Hart nas composições de muitos sucessos do cinema e do teatro sendo o responsável pela música enquanto Hart escrevia as letras. O título do filme faz referência a uma das mais conhecidas canções que a dupla compôs. Aquela noite é marcada pela tristeza de Hart, que sofria de depressão, e por suas conversas com Eddie (Bob Cannavale), o atendente do bar, e com Elizabeth. Filmado em apenas 15 dias, Blue Moon tem uma estrutura teatral, mas é dinâmico o suficiente para nos manter atentos do início ao fim. Seja pelos preciosos diálogos escritos por Kaplow, que recebeu uma indicação ao Oscar 2026 na categoria de roteiro original, ou especialmente pelo impecável desempenho de Ethan Hawke, indicado a melhor ator.
BLUE MOON (EUA/Irlanda 2025). Direção: Richard Linklater. Elenco: Ethan Hawke, Margaret Qualley, Bobby Cannavale, Andrew Scott, Patrick Kennedy, Jonah Lees e Simon Delaney. Duração: 100 minutos. Distribuição: Sony.







