Em 1997 o escritor norte-americano Donald E. Westlake publicou o romance The Ax, algo como “O Machado”. Sete anos depois o cineasta Costa-Gavras o adaptou e fez O Corte, situando a história na França. E duas décadas mais tarde foi a vez dessa mesma história ganhar uma versão sul-coreana, A Única Saída, dirigida por Chan-Wook Park. O roteiro, do próprio Park ao lado de Lee Kyoung-mi, Don McKellar e Jahye Lee, nos apresenta Man-Su (Lee Byung-hun), um homem de meia-idade que após trabalhar por 25 anos em uma fábrica de papel é demitido após a empresa ser vendida para uma companhia norte-americana. Como voltar ao mercado de trabalho e manter seu estilo de vida nessa situação? A resposta que ele encontra é bastante radical e, ao mesmo tempo, bem simples: basta eliminar a concorrência. Para ele não há outra solução para resolver seu problema. Park é um cineasta habilidoso e ótimo na arte de contar histórias. Sua excepcional filmografia é prova inconteste do talento narrativo desse sul-coreano que conquistou o mundo com a Trilogia da Vingança, que dirigiu entre 2002 e 2005 composta por Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança. Temos aqui um típico Chan-Wook Park em um projeto que ele acalentou por mais de 20 anos. Originalmente, o filme seria uma produção hollywoodiana. No entanto, e felizmente digo eu, a obra terminou sendo realizada na Coréia do Sul e isso, tenham certeza, faz toda a diferença, uma vez que permitiu ao cineasta manter-se ao seu estilo e abordar temas delicados da maneira que costuma tratar em suas obras, ou seja, com humor ácido, ótimas sacadas visuais e reviravoltas inesperadas e sempre bem-vindas.
A ÚNICA SAÍDA (Eojjeolsuga Eobsda – Coréia do Sul 2025). Direção: Chan-Wook Park. Elenco: Lee Byung-hun, Son Ye-jin, Woo Seung Kim, So Yul Choi, Park Hee-soon, Lee Sung-min, Yeom Hye-ran e Cha Seung-won. Duração: 139 minutos. Distribuição: MUBI/Mares Filmes.







