Estreia na direção de longas da roteirista e diretora brasiliense Rafaela Camelo, A Natureza das Coisas Invisíveis teve sua primeira exibição mundial na Berlinale de 2025. Depois foi ao Festival de Gramado, de onde saiu com três Kikitos: melhor atriz coadjuvante (Aline Marta Maria); melhor trilha sonora e prêmio especial do júri. Tudo gira em torno de duas meninas na faixa dos dez anos: Glória (Laura Brandão) e Sofia (Serena). Elas se conhecem em um hospital. A mãe da primeira, Antônia (Larissa Mauro), é enfermeira e como não tem com quem deixar a filha durante as férias de verão, a leva para seu local de trabalho. A segunda acompanha a bisavó (Maia), que sofreu um acidente doméstico. A amizade entre as duas é instantânea. Glória, que tem o ambiente hospitalar como parte importante de sua rotina, se sente em casa, interage com os pacientes e mostra tudo para a nova amiga. Cada uma delas carrega uma questão delicada do passado. Uma passou por uma delicada cirurgia cardíaca e a outra acredita que o fato de sua bisa estar hospitalizada não é um bom sinal. As conversas entre elas servem para que compartilhem suas inseguranças. Por fim, Glória vai passar alguns dias na casa de Simone (Camila Márdila), mãe de Sofia. A Natureza das Coisas Invisíveis lida com temas pesados e bastante delicados. Mas o faz com uma abordagem leve e corajosa. Muito disso se deve à forma como o roteiro foi estruturado e à condução da narrativa. O elenco também é ótimo. Em especial as talentosas Laura Brandão e Serena, ambas estreantes, que estão perfeitas em cena e esbanjam química e naturalidade.
A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS (Brasil/Chile 2025). Direção: Rafaela Camelo. Elenco: Laura Brandão, Serena, Larissa Mauro, Camila Márdila e Aline Marta Maia. Duração: 90 minutos. Distribuição: Vitrine Filmes.







