Após 20 anos trabalhando como atriz, a francesa Céline Sallette decidiu estrear como roteirista e diretora de um longa. No caso, Niki de Saint Phalle, cinebiografia da pintora e escultora franco-americana Catherine-Marie-Agnès Fal de Saint Phalle. O roteiro, escrito pela própria Sallette ao lado de Samuel Doux, começa em 1953, quando Niki, vivida pela atriz Charlotte Le Bon, que trabalhava como modelo e aspirava se tornar atriz, se muda para Paris com o marido e a filha pequena para escapar da paranoia opressiva do macarthismo nos Estados Unidos. Os primeiros meses na França são carregados de encantamento e pela sensação de liberdade. No entanto, aos poucos, lembranças de sua traumática infância começam a aflorar e ela encontra na arte uma maneira de salvar sua sanidade. A diretora não obteve autorização da família de Niki para mostrar as obras da artista. E essa ausência tira muito da beleza que o filme poderia ter. Além disso, a diretora se concentra nas crises de uma mulher de grande talento criativo, o que cria em nós, espectadores, uma empatia natural. Além disso, a incrível semelhança de Charlotte Le Bon com a figura retratada dá a impressão, em alguns momentos, de estarmos vendo cenas reais.
NIKI DE SAINT PHALLE (Niki – França 2024). Direção: Céline Sallette. Elenco: Charlotte Le Bom, John Robinson, Damien Bonnard, Judith Chemla, Virgile Bramly, Nora Arnezeder e Quentin Dolmaire. Duração: 98 minutos. Distribuição: Imovision.







