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COMO FOTOGRAFAR UM FANTASMA

Charlie Kaufman é um roteirista de estilo bastante pessoal e peculiar. Seus roteiros têm como principal característica carregarem sua autoralidade. Mesmo quando não são dirigidos por ele. Artistas assim não costumam trabalhar com material escrito por outras pessoas. Mas o curta Como Fotografar Um Fantasma é a exceção da regra. Kaufman dirige aqui um roteiro original de Eva H.D., mas que poderia ter sido seu. O filme abre com uma bela frase da escritora Toni Morrison: “Em certo ponto na vida a beleza do mundo se torna suficiente. Você não precisa fotografá-la, pintá-la ou mesmo recordá-la. Ela é suficiente”. A partir acompanhamos um tradutor (Josef Akiki) e uma fotógrafa (Jessie Buckley) perambulando pelas ruas de Atenas, na Grécia. Temos aqui um ensaio cinematográfico sobre duas pessoas que se sentiam excluídos na vida, e agora, após a morte, vagam em busca de uma beleza que possa preencher e quem sabe corrigir os erros que cometeram. Kaufman filma com delicadeza e faz uso de imagens de arquivo para cobrir algumas passagens. A narração, feita pela própria roteirista, complementa o que vemos na tela compondo assim um sutil e metafísico painel de duas almas à procura de um sentido para suas existências. O filme termina com uma bela versão de Perfect Day, de Lou Reed, cantada pelos irmãos Martha e Rufus Wainwright. Não poderia ter fechamento melhor.

COMO FOTOGRAFAR UM FANTASMA (How to Shoot a Ghost – EUA/Grécia 2025). Direção: Charlie Kaufman. Elenco: Jessie Buckley, Josef Akiki, Ioannis Bakogeorgos, Eva H.D. Argyris Pandazaras, Nektarios Souldatos e Felice Topi. Duração: 27 minutos. Distribuição: The Criterion Channel.

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