TERRA EM TRANSE

Filme do dia

“Aqui, em se plantando, tudo dá”. A frase, dita por Pero Vaz de Caminha no longínquo ano de 1500, continua ecoando. Afinal, vivemos no “país do futuro”. Glauber Rocha já era o nome mais destacado do Cinema Novo quando escreveu e dirigiu Terra em Transe, em 1967. Sua câmara, nervosa e inquieta, nos conduz à fictícia nação de Eldorado. Lá, um senador que odeia o povo, Porfírio Diaz (Paulo Autran), deseja ser coroado imperador. Mas ele não está sozinho. Existem outros candidatos ao posto máximo eldoradense. O governador de uma das províncias, Felipe Vieira (José Lewgoy), com seu populismo demagógico e um representante da burguesia progressista, Don Júlio Fuentes (Paulo Gracindo), um homem que controla a riqueza e a imprensa do lugar. No meio dessa briga, o jornalista e poeta Paulo Martins (Jardel Filho). Terra em Transe é, antes de tudo, uma grande alegoria não só do Brasil, mas, de toda a América Latina. Por mais semelhanças que tenhamos com Eldorado, a história que Glauber nos apresenta aqui poderia ter acontecido, ou estar acontecendo, em qualquer um de nossos vizinhos. O que mais incomoda no filme é sua atualidade. Aparentemente caótica, a câmara não para um minuto sequer e transmite com perfeição a sensação de conflito perene que se estabelece em cena. Todos querem se fazer ouvir e isso faz com que o clima esteja sempre tenso. Não há personagens positivos em Terra em Transe. A intenção de Glauber era justamente destacar os aspectos negativos da política maniqueísta e oportunista que vigorava e ainda vigora em muitos países. Proibido pela censura na época de seu lançamento, acusado de subversivo e irreverente com a Igreja, o filme terminou sendo liberado após um pequeno ajuste: deu um nome ao padre vivido pelo ator Jofre Soares, que passou a ser chamado de Padre Gil. A cópia restaurada lançada pela Versátil em uma edição dupla, traz extras imperdíveis. Entre eles: o documentário Depois do Transe, de Paloma Rocha (filha do diretor) e Joel Pizzini, e o curta Maranhão 66, feito por Glauber mostrando a gênese de José Sarney.
TERRA EM TRANSE (Brasil  1967). Direção: Glauber Rocha. Elenco: Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Gracindo, Hugo Carvana, Danuza Leão, Jofre Soares, Mário Lago, Flávio Migliaccio, Francisco Milani, Darlene Glória, Paulo César Pereio e Thelma Reston. Duração: 106 minutos. Distribuição: Versátil.

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Last modified: 1 de setembro de 2021

2 respostas para “TERRA EM TRANSE”

  1. Em tempos de eleição, nada mais adequado!

  2. Respeito toda a filmografia do meu homônimo, mas esta é a única que realmente admiro.

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